Sintaxe





A Sintaxe é a parte da língua portuguesa que trabalha com a disposição das palavras em uma frase e a lógica entre elas. Ela é muito importante para compreender a combinação de orações e palavras. Nos estudos gramaticais a sintaxe é estudada por meio da análise sintática para analisar o sujeito, o predicado e os termos acessórios de uma oração.

Sintaxe de Concordância

A concordância de uma frase ocorre quando há determinada flexão entre dois termos e ela pode ser caracterizada como verbal ou nominal. É a responsável pela harmonia na construção de uma frase na língua portuguesa.

Concordância Verbal

Flexão do verbo para concordar com o número e a pessoa do seu sujeito. O verbo representa o subordinado e o sujeito o item subordinante. Em alguns casos surgem dúvidas nos concurseiros na hora da prova devido o uso de expressões que passam o sentido de pluralidade e confundem o candidato.

Sujeito Simples: Quando é um sujeito simples o verbo concorda em número e pessoa e a ação é praticada por apenas um núcleo.

– Meus filhos chegaram (3º pessoa do plural) com fome.

– Meu filho chegou (3º pessoa do singular) com fome.

Regras Sujeito Simples

1) Sujeito formado por expressão partitiva (uma porção de, a maioria de, grande parte de…) pode ter a concordância no singular ou plural quando for seguida de substantivo ou por um pronome no plural.

  • A maioria dos alunos apoia/apoiaram a greve dos professores.
  • Parte dos ônibus apresentou/apresentaram defeito mecânico.

2) Nos substantivos coletivos especificados os verbos ficam na 3º pessoa do singular.

  • Um bando de bandidos saqueou/saquearam uma joalheria no centro da cidade.

3) Para os sujeitos que indicam uma quantidade aproximada (cerca de, perto de, mais de…) seguido por um numeral e substantivo, o verbo fica em concordância com o substantivo.

  • Mais de quinhentas pessoas participaram da corrida escolar.
  • Cerca de duzentas crianças comemoraram o feriado no parque.

4) Nomes que só existem no plural e os que não tem artigo ficam com o verbo no singular. Mas, quando essa palavra no plural vier com artigo o verbo deve ficar no plural.

  • Os Estados Unidos são o país da oportunidade.

5) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou indefinido plural (muitos, vários, quantos, alguns…) que seja sucedido dos termos “de nós” ou “de vós”. O verbo nesse caso pode concordar com o primeiro pronome ou com o pronome pessoal. Para os casos em que o pronome interrogativo e indefinido estiver no singular o verbo também fica no singular.

  • Quais de nós são/somos capazes?
  • Qual de nós é capaz?

6) Quando o sujeito é formado por uma porcentagem e sucedido por um substantivo. O verbo deve estar em concordância com o substantivo.

  • 35% dos candidatos reprovaram no vestibular.
  • 5% do orçamento do país deve ser destinado ao transporte público.

7) Para os casos em que existe porcentagem que não é sucedida de substantivo o verbo concorda com o número. Exemplo:

    • 50% conhecem o candidato.

8) Quando o sujeito da frase é o pronome relativo “que” o verbo concorda em número e pessoa com o termo que antecede o pronome.

      • Fomos nós que pagamos a conta do restaurante.
      • Fui eu que fiquei feliz com sua visita.

9) Na expressão “um dos que” o verbo fica no plural. Exemplos:

      • Pelé foi um dos jogadores que mais usaram a camisa da seleção brasileira.
      • João é um dos que ensinam inglês na escola do bairro.

10) Para os casos em que o sujeito for um pronome relativo o verbo pode concordar com o termo que antecede o pronome ou vir na 3º pessoa do singular.

      • Fui eu quem viajou de carro./Fui eu quem viajei de carro.

11) Para o sujeito que é um pronome de tratamento o verbo deve permanecer na 3º pessoa do singular ou plural. Exemplos:

      • Vossa Majestade é irônica?
      • Vossas Majestades vão viajar?

12) Para verbos como dar, bater e soar a concordância ocorre dependendo do numeral. Exemplo:

      • Soaram dez horas no relógio.
      • Deu uma hora da manhã.

13) A concordância para verbos impessoais (haver, fazer e os que indicam fenômenos da natureza) são utilizados na 3º pessoa do singular. Exemplos:

  • Faz duas semanas que não como carne.
  • Trovejou ontem pela manhã.

Dica: Quando falamos durante o dia a dia somos levados a fazer concordância apenas no singular muitas vezes levando ao erro.

Sujeito Composto: Aquele que possui mais de um núcleo. Veja a seguir as regras:

1) Para o sujeito composto que vem antes do verbo a concordância deve ser no plural. Exemplos:

  • João e Maria conversavam na varanda.
  • Pais e filhos devem ser amigos.

2) Para os sujeitos compostos que possuem pessoas gramaticais distintas a concordância verbal segue a seguinte regra: a 1º pessoa predomina sobre a 2º pessoa. Exemplo:

  • Pais e filhos precisam respeitar-se. (3º pessoa do plural-eles)

3) Quando o sujeito composto vem após o verbo (posposto) há duas possibilidades de concordância. Na primeira o verbo concorda no plural com o sujeito e na segunda opção concorda com o núcleo do sujeito mais próximo.

  • Compareceram a festa a mãe e suas filhas.
  • Compareceu ao evento a mãe e suas filhas.

4) Para casos de reciprocidade a concordância se dá no plural. Exemplo:

  • Abraçaram-se tios e primos.

5) Quando há sujeitos compostos formados por núcleos sinônimos o verbo concorda no plural ou no singular. Exemplo:

  • A falta de chuva e a seca marcam/marca o inverno no Distrito Federal.

6) Quando o sujeito composto apresenta termos dispostos em gradação o verbo pode concordar com o último núcleo do sujeito ou ficar no plural. Exemplos:

  • Dias, horas, minuto, segundo parecem solitários sem voc&ecirc.
  • Dias, horas, minuto, segundo parece interminável sem você.

7) Quando os núcleos do sujeito estão ligados pelos termos “ou” ou “nem”, o verbo concorda no plural e a afirmação do predicado é relacionada a todos os núcleos. Para os casos de núcleo excludente o verbo permanece somente no singular. Exemplos:

  • Jogador ou treinador de futebol ganham pouco.
  • Nem Maria nem João foram viajar.

8) Para as expressões “um ou outro” e “nem um nem outro” pode-se utilizar a concordância no plural ou singular, no entanto é mais comum ver no singular. Exemplos:

  • Nem um nem outro foi/foram à festa.
  • Um e outro viajou/viajaram para Paris.

9) Quando os núcleos do sujeito são ligados com o termo “com” o verbo concorda no plural. Exemplo:

  • A mãe com a irmã criaram uma nova empresa.

10) Para os núcleos do sujeito ligados por expressões correlativas (tanto…quanto, não somente, não só…mas ainda, etc).

  • Tanto os alunos quanto os professores ficaram tristes com o fim das aulas.

11) Quando os sujeitos compostos são reunidos em apenas um aposto recapitulativo (nada, tudo, etc.) a concordância se dá de acordo com o termo utilizado na oração. Exemplo:

  • Doces, Sal, Gorduras, tudo faz mal à saúde.

Concordância Nominal

A concordância nominal trabalha a relação de um substantivo com as palavras (adjetivos, particípios, artigos, pronomes adjetivos e numerais adjetivos) que o caracterizam. Veja abaixo as principais regras:

1) Quando o adjetivo refere-se a apenas um substantivo ele concorda em gênero e número. Exemplos:

  • Os celulares barulhentos tocavam sem parar.
  • As pernas trêmulas apontavam seu nervosismo.

2) Para os adjetivos que referem-se a vários substantivos a concordância varia se o adjetivo estiver anteposto ou proposto a eles. Para o primeiro caso ele vai concordar em gênero e número com o substantivo que estiver próximo e quando ele estiver posposto o adjetivo concorda com o substantivo que estiver mais próximo ou com todos eles. Exemplos:

  • Compramos barato o carro e a casa.
  • Compramos baratas as roupas e os sapatos.
  • A padaria oferece pão e bolo gostoso.
  • A padaria oferece pão e rosca gostosa.

Obs: Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de parentes o adjetivo concorda no plural. Exemplo: Os maravilhosos João e Maria me visitaram no hospital.

3) Quando houver a expressão ser + adjetivo ele concorda como masculino singular se não houver nenhum modificador na frase. No entanto, se houver algum modificador o adjetivo deve concordar com o substantivo. Exemplos:

  • Caminhar é bom para o coração.
  • Esta caminhada é boa para o coração.

4) Para os casos em que o adjetivo concorda em gênero e número com os pronomes pessoais. Exemplo:

  • Eu as vi pela manhã muito misteriosas.

5) Para as expressões com pronome indefinido neutro (tanto, nada, muito, algo, etc) seguido da preposição “de + artigo” a concordância se dá para o masculino singular.

  • A rua tinha algo de fantasmagórico.

6) Quando a palavra só estiver na frase com sentido de “sozinho” ele adquire função adjetiva e concorda com o substantivo a que se refere. Exemplo:

  • Aline ficou só.
  • Aline e João ficaram sós.

7) Quando apenas um substantivo é alterado por mais de dois adjetivos no singular pode-se deixar o substantivo no singular e inserir o artigo antes do último adjetivo ou o nome vai para o plural e o artigo é retirado.

  • Adoro a comida argentina e a mexicana.
  • Adoro as comidas argentina e mexicana.