Sinais de Pontuação





Há certos recursos da linguagem – pausa, melodia, entonação e até mesmo, silêncio – que só estão presentes na oralidade. Na linguagem escrita, para substituir tais recursos, usamos os sinais de pontuação. Estes são também usados para destacar palavras, expressões ou orações e esclarecer o sentido de frases, a fim de dissipar qualquer tipo de ambiguidade.

Vírgula

Emprega-se a vírgula (uma breve pausa) nos seguintes casos:

Separar elementos mencionados numa relação

“A nossa empresa está contratando engenheiros, economistas, analistas de sistemas e secretárias. O apartamento tem três quartos, sala de visitas, sala de jantar, área de serviço e dois banheiros.”

Obs: Mesmo que a letra “e” venha repetida antes de cada um dos elementos da enumeração, a vírgula deve ser empregada:

Ex: “Rodrigo estava nervoso. Andava pelos cantos, e gesticulava, e falava em voz alta, e ria, e roía as unhas.”

Isolar o vocativo

Ex: “Cristina, desligue já esse telefone! Por favor, Ricardo, venha até o meu gabinete.”

Isolar o aposto

Ex: Dona Sílvia, aquela mexeriqueira do quarto andar, ficou presa no elevador.
Ex: Rafael, o gênio da pintura italiana, nasceu em Urbino.

Veja mais informações sobre aposto e vocativo!

Isolar palavras e expressões explicativas

(a saber, por exemplo, isto é, ou melhor, aliás, além disso etc.)

Ex: Gastamos R$ 5.000,00 na reforma do apartamento, isto é, tudo o que tínhamos economizado durante anos. Eles viajaram para a América do Norte, aliás, para o Canadá.

Isolar o adjunto adverbial antecipado

Ex: Lá no sertão, as noites são escuras e perigosas. Ontem à noite, fomos todos jantar fora.

Isolar elementos repetidos

Ex: O palácio, o palácio está destruído. Estão todos cansados, cansados de dar dó!

Isolar, nas datas, o nome do lugar

Ex: São Paulo, 22 de maio de 1995.
Ex²: Roma, 13 de dezembro de 1995.

Isolar os adjuntos adverbiais

      Ex: A multidão foi, aos poucos, avançando para o palácio.

Ex²: Os candidatos serão atendidos, das sete às onze, pelo próprio gerente.

Isolar as orações coordenadas, exceto as introduzidas pela conjunção “e”

Ex: Ele já enganou várias pessoas, logo não é digno de confiança.
Ex²: Você pode usar o meu carro, mas tome muito cuidado ao dirigir.
Ex³: Não compareci ao trabalho ontem, pois estava doente.

Indicar a elipse de um elemento da oração

Ex: Foi um grande escândalo. Às vezes gritava; outras, estrebuchava como um animal.
Ex²:Não se sabe ao certo. Paulo diz que ela se suicidou, a irmã, que foi um acidente.

Para separar o paralelismo de provérbios

Ex: Ladrão de tostão, ladrão de milhão. Ouvir cantar o galo, sem saber onde.

Após a saudação em correspondência (social e comercial)

– Com muito amor,…
– Respeitosamente,…

Isolar as orações adjetivas explicativas

Ex: Marina, que é uma criatura maldosa, “puxou o tapete” de Juliana lá no trabalho.
Ex²: Vidas Secas, que é um romance contemporâneo, foi escrito por Graciliano Ramos.

Isolar orações intercaladas

Ex: Não lhe posso garantir nada, respondi secamente. O filme, disse ele, é fantástico.

Ponto

Emprega-se o ponto, basicamente, para indicar o término de uma frase declarativa de um período simples ou composto.

  • Desejo-lhe uma feliz viagem.
  • A casa, quase sempre fechada, parecia abandonada, no entanto tudo no seu interior era conservado com primor.
  • O ponto é também usado em quase todas as abreviaturas, por exemplo: fev. = fevereiro, hab. = habitante, rod. = rodovia.
  • O ponto que é empregado para encerrar um texto escrito recebe o nome de ponto final.

Ponto-e-vírgula

Utiliza-se o ponto-e-vírgula para assinalar uma pausa maior do que a da vírgula, praticamente uma pausa intermediária entre o ponto e a vírgula. Geralmente, emprega-se o ponto-e-vírgula para:

a) separar orações coordenadas que tenham um certo sentido ou aquelas que já apresentam separação por vírgula:

“Criança, foi uma garota sapeca; moça, era inteligente e alegre; agora, mulher madura, tornou-se uma doidivanas.”

b) separar vários itens de uma enumeração:

Art. 206.

O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

  • igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
  • liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
  • pluralismo de ideias e de concepções, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
  • gratuidade do ensino em estabelecimentos oficiais; . . . . . . . . (Constituição da República Federativa do Brasil)

Dois-pontos

Os dois-pontos são empregados para:

Numeração

“… Rubião recordou a sua entrada no escritório do Camacho, o modo porque falou: e daí tornou atrás, ao próprio ato. Estirado no gabinete, evocou a cena: o menino, o carro, os cavalos, o grito, o salto que deu, levado de um ímpeto irresistível…” (Machado de Assis)

Citação

“Visto que ela nada declarasse, o marido indagou:

– Afinal, o que houve?”

Esclarecimento

“Joana conseguira enfim realizar seu desejo maior: seduzir Pedro. Não porque o amasse, mas para magoar Lucila.”

Obs: Nesse caso os dois-pontos são também usados na introdução de exemplos, notas ou observações.

Ponto de interrogação

O ponto de interrogação é empregado para indicar uma pergunta direta, ainda que esta não exija resposta.

Ex: O criado pediu licença para entrar:

– O senhor não precisa de mim?

– Não obrigado. A que horas janta-se?

– Às cinco, se o senhor não der outra ordem.

– Bem.

– O senhor sai a passeio depois do jantar? de carro ou a cavalo?

– Não.

(José de Alencar)

Ponto de exclamação

Ex: O ponto de exclamação é empregado para marcar o fim de qualquer enunciado com entonação exclamativa, que normalmente exprime admiração, surpresa, assombro, indignação etc.

Ex²: “Viva o meu príncipe! Sim, senhor… Eis aqui um comedouro muito compreensível e muito repousante, Jacinto.”

“Então janta, homem! (Eça de Queiroz).”

Obs: O ponto de exclamação é também usado com interjeições e locuções interjetivas:

-Oh!
-Valha-me Deus!

Reticências

Assinalar interrupção do pensamento

“Bem; eu retiro-me, que sou prudente. Levo a consciência de que fiz o meu dever. Mas o mundo saberá… ” (Júlio Dinís)

Indicar passos que são suprimidos de um texto

“O primeiro e crucial problema de linguística geral que Saussure focalizou dizia respeito à natureza da linguagem. Encarava-a como um sistema de signos… Considerava a linguística, portanto, com um aspecto de uma ciência mais geral, a ciência dos signos…” (Mattoso Câmara Jr.)

Marcar aumento de emoção

“As palavras únicas de Teresa, em resposta àquela carta, significativa da turvação do infeliz, foram estas: “Morrerei, Simão, morrerei. Perdoa tu ao meu destino… Perdi-te… Bem sabes que sorte eu queria dar-te… e morro, porque não posso, nem poderei jamais resgatar-te.” (Camilo Castelo Branco)

Aspas

Antes e depois de citações textuais

“Roulet afirma que “o gramático deveria descrever a língua em uso em nossa época, pois é dela que os alunos necessitam para a comunicação quotidiana”.

Em estrangeirismos, neologismos, gírias e expressões populares ou vulgares

  • “O ‘lobby’ para que se mantenha a autorização de importação de pneus usados no Brasil está cada vez mais descarado.” (Veja)
  • “Na semana passada, o senador republicano Charles Grassley apresentou um projeto de lei que pretende “deletar” para sempre dos monitores de crianças e adolescentes as cenas consideradas obscenas.” (Veja)
  • Popularidade no “xilindró”.
  • “Preso há dois anos, o prefeito de Rio Claro tem apoio da população e quer uma delegada para primeira-dama.” (Veja)
  • “Com a chegada da polícia, os três suspeitos “puxaram o carro” rapidamente.”

Realçar uma palavra ou expressão

“Ele reagiu impulsivamente e lhe deu um “não” sonoro. Aquela “vertigem súbita” na vida financeira de Ricardo afastou-lhe os amigos dissimulados.”

Travessão

O travessão é usado nos seguintes casos:

Indicar a mudança de interlocutor no diálogo

– Que gente é aquela, seu Alberto?

– São japoneses.

– Japoneses? E… é gente como nós?

– É. O Japão é um grande país. A única diferença é que eles são amarelos.

– Mas, então não são índios? (Ferreira de Castro)

Colocar em relevo certas palavras ou expressões

“Maria José sempre muito generosa – sem ser artificial ou piegas – a perdoou sem restrições.”

“Um grupo de turistas estrangeiros – todos muito ruidosos – invadiu o saguão do hotel no qual estávamos hospedados.”

Substituir a vírgula ou os dois pontos

“Cruel, obscena, egoísta, imoral, indômita, eternamente selvagem, a arte é a superioridade humana – acima dos preceitos que se combatem, acima das religiões que passam, acima da ciência que se corrige; embriaga como a orgia e como o êxtase.” (Raul Pompeia)

Ligar palavras ou grupos de palavras que formam um “conjunto” no enunciado

  • A ponte Rio-Niterói está sendo reformada.
  • O triângulo Paris-Milão-Nova Iorque está sendo ameaçado, no mundo da moda, pela ascensão dos estilistas do Japão.

Parênteses

Os parênteses são empregados para:

Destacar explicação ou comentário

“Todo signo linguístico é formado de duas partes associadas e inseparáveis, isto é, o significante (unidade formada pela sucessão de fonemas) e o significado (conceito ou ideia).”

Incluir dados informativos sobre bibliografia

“Mattoso Câmara (1977:91) afirma que, às vezes, os preceitos da gramática e os registros dos dicionários são discutíveis: consideram erro o que já poderia ser admitido e aceitam o que poderia, de preferência, ser posto de lado.”

Indicar marcações cênicas numa peça de teatro

“Abelardo I – Que fim levou o americano? João – Decerto caiu no copo de uísque! Abelardo I – Vou salvá-lo. Até já! (sai pela direita)” (Oswald de Andrade)

Isolar orações intercaladas com verbos declarativos

“Afirma-se (não se prova) que é muito comum o recebimento de propina para que os carros apreendidos sejam liberados sem o recolhimento das multas.”

Asterisco

O asterisco,  sinal gráfico em forma de estrela, é um recurso empregado para remissão a uma nota no pé da página ou no fim de um capítulo de um livro como no exemplo abaixo:

“Ao analisarmos as palavras sorveteria, sapataria, confeitaria, leiteria e muitas outras que contêm o morfema preso* -aria e seu alomorfe -eria, chegamos à conclusão de que este afixo está ligado a estabelecimento comercial. Em alguns contextos pode indicar atividades, como em: bruxaria, gritaria, patifaria etc.

*É o morfema que não possui significação autônoma e sempre aparece ligado a outras palavras.”

Além disso, o asterisco é uma forma de substituição de um nome próprio que não se deseja mencionar, como na seguinte frase:

  • “O Dr.* afirmou que a causa da infecção hospitalar na Casa de Saúde Municipal está ligada à falta de produtos adequados para assepsia.”